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  • Thiana Calmon

Precisamos falar sobre anorexia no Ballet


Meu nome é Leilane Charlier Ricci, comecei o ballet aos 5 anos de idade... hoje tem 32.... to velhinha já..... Sempre tive que fazer aula com meninas mais velhas.... não tinha turma e já acompanhava.

Subi nas pontas aos 9 anos, um pouco cedo mas estava preparada, com 11 anos dancei meu primeiro solo de repertorio, aos 12 comecei a competir. Foi ai onde tudo começou....

Primeiras criticas, acima do peso... mas nunca fui uma criança gordinha, só não tinha pernas muito finas...... Com 13 fiquei mocinha, meu corpo fez um “bum” por causa dos hormônios.

Entao as criticas em competições pioraram, sempre falavam bailarina com boa técnica, talentosa porem fora do peso, físico ruim. E isso baixavam minhas notas. Com 13 anos era difícil de entender, eu era uma criança. Então me olhava no espelho e via uma menina feia e gorda. Já passei a me odiar.

Com o tempo tendo amigas sei nada de busto e com um quadril mais largo que o meu eu me comparava, tinha muito busto, comecei a me esconder nas roupas, usava soutien, top, colant, e agasalho para fazer aula. Aqui em ribeirão preto é muito quente, quando tirava a blusa escutava de pessoas próximas, “tem que ficar só tomando sopa”, ¨ta na hora de fechar a boca”, “por que você não come apenas alface”. Isso doía muito, mas ficava na minha.

Com 15 anos conheci a bulimia, vomitar para mim ficou constante e tranquilo, e foi o ano que comecei a dar aula, saia do colegial direto para a academia e ficava ate tarde da noite, o que mais queria no final era comer, chegava em casa e comia muito, mas ficava com um peso na consciência enorme. E ia para o banheiro tomar banho e forçava o vomito. Minha mae nunca desconfiou, usava métodos para esconder.

Minha irma mais velha, também é bailarina e sempre em busca do corpo perfeito, ela começou a me dar remédios para emagrecer, e eu entendia que era para o meu bem, pois ela queria apenas me ver bem e feliz, tomei efedrina pura, xenical, abelhinha, e mais um monte de coisa para emagrecer, ate emagrecia, mas depois engordava de novo.

As criticas continuavam, linda bailarina- ACIMA DO PESO.

Com 20 anos eu fiz cirurgia de redução de mama, e foi muito bom pra mim, mas ate hoje parece que aquele busto ainda existe no meu corpo. Tive um momento de tristeza grande na minha vida, tudo juntou com a tristeza e culpa que sempre guardei no meu coração e no meu pensamento. Comecei a parar de comer, fingia que estava com dor de cabeça, dor no estomago e fugia da comida, além de 2 a 3 diureticos por dia. Emagreci e muito, mas não tanto.

Engraçado que as pessoas começavam a falar que eu estava bonita, então eu era feia? Só porque tinha um corpo de mulher normal e não de bailarina??????

Superei tudo sozinha, parei com o diurético e voltei a me alimentar. Obvio ganhei peso.

Nesse meio tempo, tive uma aluna que chegou a um ponto de anorexia que me dava pânico de dar aula. Tinha medo que ela tivesse uma parada cardíaca na minha aula. Fiz faculdade de educação física e todos os meus trabalhos na área de psicologia era sobre a anorexia e bulimia.

Ela pesou bem menos que 40 kilos e eu entendia o que ela devia estar sentindo eu era igual, mas não tive a força de vontade dela para emagrecer tanto.

Com 28 anos, já velinha tive outra decepção, fui parar nos 47 kilos, tenho 1,69 de altura, uma estrutura grande. Outra decepção e todo aquele sentimento voltou.

Comia tudo o que queria e vomitava, ate sangrar, ficava dias a base de um copo de agua, não suportava ouvir sobre comida, dava aulas de educação física escolar e ballet em 3 lugares. Era uma vida corrida. Mas não comia. Criava forças do nada para ficar em pé. Nunca passei mal.

Até que um dia em um dia em uma reunião escolar minha diretora reparou que estava muito magra, ainda com 54kg, comi um pao de queijo e fui ao banheiro vomitar. Ela me seguiu, minha mae foi chamada na escola. E comecei a me tratar.

Não conseguia comer, não tinha vontade de viver, mas eu entrava na aula de ballet e escutava que eu estava linda, me sentia linda, tudo fluía, chamava atenção, me sentia importante.

Fui parar nos 47 kilos, tratamento psiquiátrico, muitos remédios, estava anoréxica.

Para os outros feia, para mim linda, para minha família só dei preocupação.

Hoje aos 32 anos, não sou tao magra, tenho umas recaídas, mas tomo um monte de remédio e faço tratamento com psiquiatra continuo, imagina o gasto que tenho, sou uma menina que estou com a anorexia não curada pois você nunca se cura, mas esta controlada, com a bulimia tenho minhass recaídas, mas

tento ser forte.

Sou professora de dança, educação física, dona de escola com uma doença chamada boderline, distúrbio de imagem, em busca de me sentir linda.

Para nós que vivemos em frete ao espelho é difícil não ver apenas seus defeitos.

Tento não demonstrar isso para minhas alunas e não quero nunca ver mais alguém passar por isso.

A dança é nossa paixão, nossa vida, o corpo não importa, deixe que a dança faça bem a todos nós. Não se percam nessa coisa de corpo perfeito. Ninguém tem corpo perfeito, até quem nós achamos perfeitas não sou perfeitas.

Dance, saia feliz das aulas, façam aulas para alma. E vivam, para quem já tentou tirar a vida,

Ela é o nosso bem mais importante.

Leilane Charlier Ricci.

#professordeballet #corpo #dieta

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