Ballet Adulto e o sentimento de pertencimento





Pergunte a alguém que é platéia, que assiste espetáculos o que vem à mente quando falamos de ballet clássico. Quais serão as principais respostas?


Bailarinas de tutu? O lago dos cisnes? Sapatilhas de ponta? Leveza, fluidez?


Antes da decisão de dançar, estamos imersos nesse senso coletivo do ballet clássico. Das linhas, da perfeição, dos cisnes.


Além dos pliés e piruetas, a bailarina adulta quer fazer parte desse imaginário.


Por isso tantas sonham com a ponta, com o figurino, com a variação (mesmo que adaptada) de repertório. O desejo de pertencer ao mundo do ballet existe e deve ser respeitado.

Às vezes essa vontade é tão grande que essas alunas absorvem e reproduzem (sem perceber) um contexto tóxico como padrões estéticos incompatíveis com sua realidade, julgamentos de si e de outras alunas, sentimento de inferioridade e baixa autoestima.

Porque ter só metade? Porque só a aula? Porque não experimentar, tentar, desafiar o senso comum e permitir que uma pessoa adulta seja inserida nesse mundo?


O professor e a escola deveriam ser os guias desses alunos adultos nessa estrada de esforço e desafio que é aprender o ballet clássico depois de adulto. E o que esperamos desse guia?

Acolhimento, escuta, oportunidade, sem julgamentos e sem perpetuar estereótipos de corpo padrão e rivalidades.

Quando não encontram, muitas ficam pelo caminho, desistem.. outras conseguem encontrar um lugar em que são aceitas e florescem, se descobrem artistas, se descobrem apaixonadas pela dança, se dedicam muitas vezes sem apoio e recebendo críticas de pessoas próximas.

Mas só quem escolhe o caminho da dança sabe como é difícil voltar atrás.

Eu deixo hoje como reflexão para as alunas é: o ballet é muito mais que um mundo cor de rosa, que 32 fouettes na ponta, é acima de tudo arte. Aprenda a apreciar seu processo, respeite seu corpo e saiba que você pode sim pertencer ao mundo da dança.

E para professores que por acaso passem por esse texto, eu sei que é difícil ir contra anos e anos de padrões estabelecidos, mas ouça seus alunos, seus sonhos e desejos. Você pode ser esse guia, essa luz, esse realizador de sonhos.



 

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