O ballet é adulto mas a coreografia é infantil?



Imagine a situação: Uma turma cheia de mulheres adultas com o desejo de se sentirem bailarinas, que com muita coragem enfrentarão uma platéia para dançar ballet pela primeira vez.

Imaginou? Parece incrível né?

Mas a coreografia e o figurino parecem feitos para a turma de baby class...

Um sentimento difícil de nomear, beira a vergonha alheia. Não pela turma, mas pelo profissional que não consegue colocar uma turma de iniciantes no palco de forma delicada, sensível, que valorize o que cada aluna tem de melhor.


É um grande desafio, eu sei. E é fácil falar da posição de aluna, mas sabendo que é possível (porque tive a sorte de encontrar professaras incríveis no meu caminho e nunca passar por isso) eu venho trazer a situação para refletirmos juntas.

Você pode perguntar ou argumentar que essas alunas aceitaram ou mesmo gostaram da experiência.

Ora, se a aluna é iniciante e confia em seu professor, como saber que existe outra opção? Como entender que é possível outras formas de dançar?


Não é porque o aluno é iniciante que deve ter o conteúdo programático de aulas de turmas preparatórias.

O adulto precisa de formas atualizadas de ensino em que ele participe e esteja engajado no próprio aprendizado. O corpo cheio de histórias está ávido pela aprendizagem. Como preparar esse corpo? Como chegar a um resultado satisfatório?


Como pensar em um figurino que valorize corpos diversos? Como elevar a autoestima dessas pessoas que se desafiaram a pisar num palco pela primeira vez ou mesmo após um longo hiato aos 30, 40, 50 ou mais?


Esse corpo não precisa ser magro, super alongado ou ter a habilidade de girar. Esse corpo precisa de respeito e sensibilidade para absorver a técnica a seu tempo. Isso não significa que seja lento, significa que cada corpo terá seu processo e o palco é reflexo desse processo de respeito e carinho que deve ser construído dentro de um ambiente de confiança entre aluno e professor.



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