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  • Thiana Calmon

Reflexão sobre aulas de dança online

Muitos iniciantes adultos e até crianças e adolescentes estão com amplo acesso a aulas, lives e as famosas dicas de exercícios pelas redes sociais nesse momento de quarentena, mas é seguro?


De um lado uma grande quantidade de conteúdo sendo produzida, muitos de forma democrática, sem custo, como forma de compartilhar e ajudar no momento de isolamento. Do outro lado temos escolas de dança que se encontram em um momento difícil onde alunos e responsáveis não entendem a importância da manutenção da mensalidade precisando se reinventar em meio ao caos para manter um conteúdo de aulas para alunos ao mesmo tempo com uma pressão para se manter presente nas redes sociais. E temos o público, alunos de diversos níveis, faixas etárias, regiões e com diferentes graus de acesso à técnica da dança.


Enxergamos então uma grande oportunidade: Fazer uma barra com aquele bailarino famoso, ou experimentar um estilo diferente, acompanhar bailarinos e profissionais do mundo todo, cada um com sua contribuição criando aulas em casa ou ainda compartilhando seu conhecimento e arte em lives diárias. Parece incrível, certo?


E realmente é. Quando a maioria está compartilhando porque acredita que pode contribuir de alguma forma para a manutenção da sua própria saúde e de muitas outras pessoas. É essencial que artistas continuem trabalhando e cada vez mais mostrando o quanto a cultura é necessária e essencial em todos os momentos, especialmente como o atual. O compartilhamento gratuito ou pago é também uma ferramenta onde esses profissionais generosamente compartilham seu trabalho como também pode ser usado para que mantenham seus espaços em um país que pouco valoriza a arte e a cultura.


Mas como tudo tem mais de um lado, podemos identificar algumas limitações nessa produção de conteúdo online sem precedentes, principalmente nas aulas online.




Sobre aulas de dança à distância


Não é nenhuma novidade aulas nesse formato. Algumas pessoas já se utilizam desse instrumento por vários motivos. Quando o aluno já é um bailarino formado ou com alguma experiência, essa forma de aula pode ser uma solução para encurtar distâncias, ainda assim existem limitações. Mas quando o aluno é iniciante, eu considero bem mais problemático.


Tipos de aula online (atuais)


- Individual ou em grupo paga com conteúdo definido: Neste tipo realizado por aplicativos como Skype ou zoom o professor consegue ver o que o aluno está fazendo e com isso pode efetuar algumas correções e orientações, além de possibilitar que o aluno tire dúvidas.


- Aulas prontas em plataformas como IGTV e Youtube

Quando um profissional grava uma aula, com detalhes e explicações para que seus alunos e o público em geral consiga reproduzir quando quiser.

Aqui você consegue pausar, voltar, a comunicação com o professor ocorre apenas por comentários sem garantia que ele lerá ou responderá.

- Lives via instagram

Aqui qualquer pessoa liga a câmera e sugere uma aula para quem estiver online.

O professor não consegue ver o aluno e dificilmente você vai conseguir pedir para o professor repetir uma explicação ou tirar alguma dúvida mais específica


Limitações e problemas nas aulas on line


- O primeiro é parte desse público consumidor acreditar que a aula online substitui a presencial e menosprezar o trabalho que é realizado dentro de sala de aula. Esse é imprescindível e insubstituível por vários motivos. Mas seguindo nosso raciocínio...


- Como identificar se esse novo criador de conteúdo realmente tem algo a acrescentar ou é mais alguém aproveitando o momento para crescer nas redes sociais? Normalmente esse perfil vem com uma imagem "inovadora", prometendo resultados rápidos, criando desafios, tentando de todas as formas engajar seu público para em algum momento vender um curso à distância. Normalmente seu público alvo são iniciantes que não conseguem bem discernir o bom profissional do oportunista.


- Falta de acompanhamento individual e correções e suas consequências. A aula presencial facilita que o professor observe cada aluno individualmente e faça as correções necessárias observando a necessidade e o limite de cada um. Precisamos lembrar que o crescimento do ballet para adultos iniciantes flexibilizou e democratizou o ensino dessa técnica para diferentes corpos. Com isso é ainda mais importante que cada aluno seja observado como único porque esse aluno traz consigo históricos físicos variados que pode ser desde uma simples dor muscular porque dormiu mal até uma patologia mais séria que necessite de observação constante. Também traz vícios posturais e nem sempre apresentam uma consciência corporal para que o olhar atento do professor seja dispensável. Tudo isso só é possível em sala de aula. Tudo isso sem contar nos benefícios emocionais e psicológicos já comprovados em atividades em grupo.


- Falta de local adequado: Em um momento como o atual é imprescindível continuarmos ativos para manter tanto a saúde física quanto mental. Já sabemos que níveis de estresse baixam nossa imunidade. Porém é importante entendermos que só arrastar os móveis da sala e improvisar uma barra com a cadeira não torna sua sala, quarto ou qualquer outro cômodo no lugar mais adequando para uma aula de dança ou outra atividade física.


- Aulas incompletas: Se você está acostumado a fazer aulas em ambiente adequados, seja de ballet, jazz, contemporâneo ou qualquer outra modalidade sabe que precisamos de espaço. Em casa você perde parte dessa aula, ou você consegue fazer uma diagonal de giros no seu corredor? Consegue fazer um Grand jetté sem derrubar uma tv ou cair pela janela?


- Dificuldade de interação com o professor. A troca entre alunos e professor é quase nula, se resume basicamente a corações subindo, elogios e muitos emojis. Em aulas via outros aplicativos onde o professor também vê o aluno, essa dificuldade diminui mas ainda não é a mesma coisa que o presencial.


Como identificar um conteúdo de qualidade e aproveitar uma aula online nesse momento?

Primeiro precisamos entender que é um período extremamente atípico e quando tudo normalizar o ideal é que as aulas continuem sendo feitas na sua escola ou studio de dança. Com esse pré-requisito em mente podemos sim aproveitar as aulas com alguns cuidados principalmente se for com algum professor que você não esteja acostumado.


1 - Filtre informações e conheça a pessoa que você vai copiar

Temos um bombardeio de dicas, influenciadores em lives falando, fazendo aula, dando aula, professores, bailarinos, etc...

Aprenda a filtrar o conteúdo de qualidade. Quem é essa pessoa? Qual formação ela tem? Qual o contexto dela? Se for influenciador, há quanto tempo gera conteúdo? O conteúdo é de qualidade?

É um bailarino? Saiba que um bom bailarino não necessariamente é um bom professor e um bom professor não precisa necessariamente ter sido um grande bailarino. O importante é você saber que a pessoa que você segue e se inspira não é só mais uma pessoa atrás de likes e sim alguém com conteúdo de qualidade para transmitir. Não avalie o perfil com base no número de seguidores e sim no que ele tem a falar.


Bônus: Fuja de promessas rápidas, desafios malucos, promessas de zerar a abertura em 15 dias, de quem copia copia conteúdo e tenta fórmulas prontas para ganhar seguidores.


2 - Respeite seu nível técnico e seu corpo: Faça aulas do seu nível ou faça adaptações. Não faça o que não está acostumado, não tente extrapolar seus limites sem supervisão. Alguns professores inclusive já sugerem adaptações quando sabe que o público pode ser variado. Não deixe de se aquecer antes da aula e não tenha pressa para evoluir nesse momento, se você conseguir manter o que tem já é ótimo!


3 - Não aumente a carga horária de exercícios de um dia pro outro: Se você fazia aulas de uma hora de duração 3 vezes por semana, não saia fazendo 5 aulas por dia só porque tem a disposição. Filtre o que é bom para o seu corpo e mente. Está tudo bem não preencher todo o seu dia de atividades.


4 - Quanto mais simples melhor: Busque exercícios que você consiga executar com maior facilidade, facilita a auto correção e desenvolvimento de limpeza de movimentos e consciência corporal.


5 - Busque também conhecimento teórico e assista espetáculos nas plataformas de vídeo. Valorize os profissionais, assista e absorva.


6 - Crie um espaço razoável em casa, se tiver um espelho melhor ainda. Use roupas confortáveis.


7 - Cuidado para não se machucar. Se doer, pare (vale para tudo na vida).


8 - Seja responsável com seu corpo e nunca se esqueça, dança a gente aprende na sala de aula!


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